Águia Pescadora (Pandion Haliaetus)

Classificação
Reino - Animal

Filo - Vertebrados

Classe - Aves

Ordem - Falconiformes

Família - Accipitridae

Gênero - Pandion

Espécie - Haliaetus

Característica Gerais:

Gaviões, águias e afins:

Família Accipitridae (44;57).

Formam grande família cosmopolita, bem representada na América do Sul, sendo mais de dez gêneros restritos ao neotropico - por exemplo, Harpagus, Rostrhamus, leucopternis, Heterospizias e Harpia.
Facilmente reconhecivéis pelo bico adunco e garras afiadas, caracteres que partilham com as águias pescadoras e falcões. Grupo um tanto semelhante e o das corujas.

Fóssil do terciario (oligoceno, ha 30 milhões de anos da Patagônia e do pleistoceno do Brasil).

Morfologia

Variam no talhe, havendo tanto aqueles do tamanho de um sabiá como representantes de envergadura de quase dois metros; o gavião-real e incontestavelmente a mais possante das rapineias do mundo.
Um dos caracteres decisivos da anatomia dos Falconiformes é a forma do esterno e da cintura escapular; quando se prepara um gavião para coleção e conveniente conservar a seco essa parte do esqueleto em conjunto.

A forma do bico varia bastante, sendo notável a presença de dois fortes dentes em cada lado da maxila em Harpagus, caracteristica que lembra falco.

Efetuam a muda das primarias do meio para a ponta da asa, ou seja, mudam inicialmente a primeira (mais interna), terminado com a décima (mais externa) - ao contrario dos Falconidae cuja muda começa com a quarta primaria, dai descendo até a décima e ascendendo até a primeira. Em espécies grandes uma rêmige individual pode durar dois anos ou mais, de maneira que se acham, ao mesmo tempo, varias gerações de rêmiges em uso.

Os Accipitridae possuem geralmente asas mais largas e mais arredondadas do que os Falconidae; eles planam muito, intercalando as vezes algumas batidas rápidas.

Os sexos quase sempre se assemelham quanto ao colorido, exceto em circus buffoni, que apresenta acentuado dimorfismo sexual neste plano. Macho e fêmea distinguem-se geralmente pelo tamanho, sendo freqüentemente este maior do que seu companheiro, parecendo pertencer a outra espécie. Esse dimorfismo sexual invertido, mais nítido quando se comparam os pesos e não os tamanhos dos respectivos sexos, e mais pronunciado em representantes como apizastur, accipiter e falco, que apanham presas relativamente grandes e ativas, sendo menos pronunciadas em predadores de roedores e insetos como buteo e quase ausente e necrofagos como polybous e cathrtidae.

O fato da fêmea ser maior pode basear-se mo modus vivendi do casal, evitando

assim que o macho, que e bem mais agressivo, torna-se perigoso para sua fêmea.

As aves de rapina freqüentemente apresentam os dois ovários desenvolvidos em vez de apenas o esquerdo como nas outras aves.

Imaturo muitas vezes não possuem os caractere mais distintivos dos adultos; durante muito tempo julgou-se que accipiter poliogaster em plumagem juvenil constituísse uma espécie, a qual foi denominada de accipiter pectoralis, sendo tal erro descoberto apenas recentemente, depois de se registrarem ambas as fases de plumagem como espécies independentes por mais de cem anos.

Os gaviões maiores conservam a plumagem imatura por mais de um ano, razão pela qual observam-se mais indivíduos nesta situação ou em uma plumagem mista. Para complicar ainda mais, ocorrem em algumas espécies fases melanistica, consta que a fase negra pode aparecer regularmente em indivíduo novos, como no caso de buteo polyosoma. Ocorrem entre espécies não aparentadas semelhantes que deixam o observador perplexo, como são os casos de harpagus diodon e accipiter bicolor ou accipiter poliogaster adulto e micrastur mirandollei (falconidae).

E freqüente destacarem-se os facões conspicuamente coloridos; da maior importância para a identificação das espécies, são o padrão e colorido da cauda. Plumagem rica em pó, por exemplo, elanoides e harpia; quando esta ultima sacode-se levanta uma nuvem de pó. A base do bico, a cera e as pernas são muitas vezes de cor viva.

Alimentação (Alimentação, método de caça)

As espécies brasileiras mostram nítida preferencia por artrópodes como gafanhotos, percevejos, formigas, vespa, cupins e aranhas; caçam também repteis, anfíbios e roedores. Geronospiza, Spizaetus e outros apanham morcegos; o urubutinga, cobras, mesmo as venenosas. Algumas especializaram-se; os caramujeiros, Rostrhamus e Helicolestes, por exemplo, são malacofagos, comendo unicamente caramujos aquáticos, o mesmo ocorrendo com Buteogallus aequinoctialis em relação a caranguejos e, em menor escala, com Chondrohierax e Busarellus em relação respectivamente a caracóis terrestre e peixes. Geranospiza possui uma articulação intertarsal mais móvel para facilitar a exploração de certas cavidades. Encontram-se também especializações no plano individual, havendo por exemplo indivíduos de Heterospizias que sabem como encontrar cobras-de-duas-cabeças (Leptotyphlops), animais de vida subterrânea.
Diversas espécies, tais como Ictinea, Heterospizias, buteo albicaudatus e Buteogallus urubitinga, procuram queimadas para capturar, no solo ou em pleno ar animais espantados ou já atingidos pelo fogo. Harpagus, Accipiter, Buteo magnirostris, Leucopternis, Chondroheirax, Spizaetus ornatus e outros aproveitam-se das formigas-de-correicao e dos bandos de macacos ou quatis como "batedores"; algumas espécies comem ocasionalmente carniça (Buteogallus urubitinga, Geranoaetus, Harpyhaliaetus) ou frutas (Elanoides, Buteogallus urubitinga).

As grandes fêmeas caçam com freqüência animais maiores do que aqueles apresados pelos machos, evitando-se uma competição. Caso notável e o de Buteo albonotatus, que imita perfeitamente u Cathartes simulando, portanto, ser incapaz de atacar presa viva; problema mais difícil consiste na semelhança surpreendente entre Harpagusdiodo e Accipiter bicolor. A interpretação de que o ultimo, hábil caçador de aves, imita o primeiro, insetívoro, a fim de iludir suas presas não nos convence pelo fato da distribuição do modelo (Harpagus) ser, no caso, mais limitada do que a do imitador (Accipiter), o que contrario, ou seja, que o imitador no exemplo seria não Accipiter e sim Harpagus, que seria assim "mais respeitado". Tais semelhanças podem ser também fortuitas (ver sob Morfologia).

Quando a freqüência, tudo leva a crer que, na natureza, o gavião-real caca apenas duas vezes por semana, exigindo então uma presa mais avantajada como um símio; pode jejuar uma ou duas semanas. Para seu filhote, entretanto, leva comida uma vez por dia, podendo contudo intercalar intervalos de ate cinco dias durante os quais suspende a alimentação (Fowler et. al., 1964). Em geral os gaviões caçam apenas algumas horas por dia e seu sucesso e mais limitado do que se pensa, p. ex. 11%, em Accipiter nisus, grande caçador de pássaros, da Europa. Em Elanus leucurus, da Califórnia, foi registrado que 39% das investidas contra roedores foram bem-sucedidas (warner & rudd 1975). Ver também Falconidae.

No que concerne ao métodos sempre gados na caca dizemos que aves de rapina (incluindo Pandionidae e Falconidae) possuem dois principais, a saber.

1) ficam a espreita em um galho ou qualquer outro poleiro, de onde precipitam-se sobre a presa que porventura se aproxime, no solo ou na água. Estas espécies costumam ter dedos curtos como, por exemplo, os de Bueto e Harpyhaliaetus. Quando a vitima (por exemplo um rato) esta no solo, e ali literalmente "pregado" pelas garras do predador. A evolução de um "disco facial", como que apresenta o gavião-real e o gaviao-do-mangue, deve facilitar a localização de suas vitimas através da orientação dada ate pelos mais suaves ruídos produzidos, o que lembra as corujas.

Variante deste método de caca e quando a ave "peneira" antes de descer sobre a presa (Elanus, Circus, Pandion e certos Falconídeos, adaptação especial a ambiente onde faltam pousos elevados). Em vez de peneirar, Buteo albicaudatus imobiliza-se em pleno ar, permanecendo parado mesmo vários minutos como se estivesse suspenso por fio invisível, graças ao estratagema de afrontar vento forte (sobretudo em lugar de serra) com as asas esticadas e imóveis; desta maneira escrutina o solo em busca de presas. Outras espécies patrulham voando rente ao substrato a fim de apanhar, p. ex., insetos pousado nas folhas ou caramujos que sobem a flor d'água. Mais uma técnica enquadravel neste item e a empregada por Chondrohierax e Geranospiza.

2) Perseguem insetos ou aves que passam voando; ora o caçador procura suas vitimas voando ativamente, ora as aguardas passar pousado em um poleiro lançando-se dali na perseguição. Caçadores deste estilo, por exemplo Accipiter e Falco, costumam ter dedos longos e plantas dos pés ásperas, de modo de segurar melhor a presa que tudo faz para escapar; são capazes de abater vitimas quase do seu tamanho, mas geralmente estas tem apenas um terço ou a metade do seu peso. Elanoides, Ictinia, os Daptrius e varias espécies de Falco apanham grandes cupins em revoada. Capturam sua presa com os pés, passando-a em seguida para o bico a fim de devora-la, o que realizam as vezes mesmo sem empoleirarem (p. ex. Elanus e Elanides quando caçam saúvas em revoada). Presas pequenas são engolidas inteiras; apenas quando pegam uma ave maior nas garras e que lhe arrancam pelo menos as rêmiges e retrizes antes de come-las; e interessante observarmos com atenção tais restos espalhados pelo chão, pois estes podem nos proporcionar dados muito úteis tanto sobre o caçador como da caca (v. também Falconídeos).

As varias espécies e certos indivíduos desenvolvem técnicas próprias de lidar com as presas; um gaviao-preto (B. urubitinga), por exemplo, devorou apenas as grandes pernas traseiras de anfíbios apanhados (Espirito Santo). Regurgitam sob a forma de pelotas somente as penas, pelos e escamas ingerindo pois, ao contrario das corujas, tem geralmente a capacidade de digerir ossos. Costumam produzir uma pelota diária, dependendo das circunstancias.

Quanto a especializações aerodinâmicas relativa a caca ha, nos gaviões, três tipos principais:
1) Asas curtas e redondas e cauda longa, conjunto próprio para facilitar as manobras dentro da mata fechada; Accipiter, Spizaetus, Harpia e Micrastur, por exemplo.

2) Asas compridas e larga de "pontas abertas" (ultimas primarias discerniveis durante o vôo) tal como nos urubus, cauda curta, conjunto apropriado para planar em espaços abertos; Buteo, Busarellus, Geranoaetus, Leucopternis, alem dos urubus.

3) Asas estreita e fechadas, cauda media, exímios caçadores em vôo acima da mata ou no campo aberto, por exemplo, Ictinia e Falco.

As aves de rapina geralmente não bebem, no que são semelhante as corujas.

Respiração

A respiração das aves e do tipo pulmonar. Alem dos órgãos semelhantes aos encontrados nos mamíferos, o aparelho respiratório das aves possui dez saco aéreos. Esse sacos são bolsas cheias de ar, que se comunicam com os pulmões e com os ossos pneumáticos.

Alem de facilitar o vôo, os sacos aéreos constituem autênticos reservatórios de ar, utilizados pelas aves durante o vôo, pois essa atividade exige um maior consumo de oxigênio.

Na parte inferior da traquéia, no ponto onde esta se ramifica nos dois brônquios, encontra-se a siringe, órgão que produz o som das aves: o cacarejar das galinhas, o canto dos pássaros etc.

Defesa (Reação de outras aves aos rapineiros)

Certos pássaros lançam um grito especial de alarme quando aparece um rapineiro (ver também em corujas); nem sempre discernem se um gavião lhes e perigoso ou não(ver sob andorinhas). Desta maneira, por exemplo, Myospiza humeralis assusta-se com um caranguejeiro, Buteogallus aequinoctialis, que consome exclusivamente crustáceos, e andorinhas de casa, Progne chalybea, atacam caramujeiros, aves exclusivamente malacofago. Na realidade para eles existe apenas um padrão generalizado de ave de rapina que lhe causa terror.

E divertido ver como um carrapateiro, Falconídeos lerdo por natureza, acelera seu vôo, faz curvas abruptas e deixa-se ate cair um bom pedaço, fugindo de um suiriri impertinente, que segue rente a sua cauda.

Gaviões maiores causam i aquietação em rapineiros de menor porte; vimos põe exemplo o chimango perseguir carcarás, gavioes-caboclo, aguias-chilenas e mesmo urubus.

Sistema Circulatório

Da mesma forma que nos mamíferos, o aparelho circulatório das aves também é formado de vasos sangüíneos e coração. Este compõe-se de quatro cavidades: duas aurículas e dois ventrículos. No lado direito do coração circula sangue venoso e no lado esquerdo, sangue arterial.

Sistema Digestivo

As aves possuem um aparelho digestivo composto de boca, faringe, estômago químico ou ventrículo, papo, esôfago, estômago mecânico ou moela, intestino e dois órgãos anexos: o pâncreas e o fígado.
O proventriculo e o estômago que realiza as transformações químicas nos alimentos.

A moela serve para triturar os alimentos, pois as aves não possuem dentes. As que se alimentam de frutas, carne etc. Apresentam moela pouco desenvolvidas ou mesmo ausente. Já as aves que se alimentam de grãos (de milho, por exemplo, como as galinhas), possuem esse órgão bem desenvolvidos.

Quando se mata uma galinha que vive solta em sítios ou fazendas, e comum encontrar em sua moela pedrinhas e outros pequenos objetos misturados com os alimentos. As pedrinhas e os objetos tem por função ajudar a trituração dos alimentos duros pela moela. Já as galinhas de granja não precisam disso, pois recebem uma ração preparada e facilmente digerível.

O papo não e o estômago das aves, como as vezes se pensa. Trata-se, isto sim, de um alargamento do esôfago, que serve como deposito provisório dos alimentos, antes de se começar a digestão.

O intestino, por sua vez, divide-se em intestino grosso e intestino delgado. A parte final do intestino grosso termina numa espécie de bolsa chamada cloaca, através da qual as aves eliminam as fezes, urinam e botam ovos.

As aves também apresentam um aparelho urinário, que se compõe de dois rins e dois ureteres, os quais desembocam na cloaca.

Como você pode perceber, diferentemente dos mamíferos, as aves não possuem bexiga urinaria. Portanto, elas não armazenam nem eliminam urina liquida. A ausência de bexiga e, na verdade, uma adaptação desses animais ao vôo, pois assim eles se tornam mais leves. A cloaca e apenas um reservatório para as fezes e a urina, que ai se misturam formando uma pasta.

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