Amebíase

A amebíase é uma infecção parasitosa devido a um protozoário do Género Entamoeba histolytica . É uma infecção cosmopolita, com grande incidência em zonas quentes, mas também está presente nas zonas temperadas em forma de pequenas epidemias familiares.
As amebas pertencem à classe Rhizopoda e movem-se pela emissão de pseudopodes. Das amibas encontradas nas fezes do homem, três pertencem ao Género Entamoeba :

Entamoeba histolytica

Entamoeba hartmanni

Entamoeba coli

Existem ainda mais três amibas pertencentes a outros Géneros: Endolimax nana, Iodamoeba butschlii e Dientamoeba fragilis.
Esta doença intestinal pode por vezes implicar outros orgãos : fígado, pulmões e raramente o cérebro.

Entamoeba histolytica
É um parasita essencialmente humano, vive e multiplica-se no intestino por divisão assexuada.
Periodicamente, alguns elementos enquistam-se e constituem a forma de resistência no meio exterior. Estes quistos são muito sensíveis à secura, à acção directa do sol e ao calor. São também muito resistentes a certas substâncias químicas usadas frequentemente para desinfectar a água, como por exemplo, o cloro.

Patogenia
O protozoário que causa a amebíase é adquirido pela ingestão de quistos viáveis em águas, alimentos ou práticas sexuais oral ou anal.O contacto directo entre o indivíduo infectado e o indivíduo são, constitui certamente, a mais importante fonte de infecção em agregados populacionais com elevado grau de promiscuidade e baixo nível higiénico, como por exemplo em: asilos, hospitais psiquiátricos, prisões, bairros sociais, etc.
A maior parte dos casos ocorrem em países desenvolvidos entre os viajantes recém-chegados dos países tropicais e sub-tropicais.

Ciclo Evolutivo da Entamoeba histolytica
No ciclo evolutivo surge uma forma trofozoítica pequena, que vive na luz intestinal e que é comensal, não produzindo doença. Essa forma pode eventualmente transformar-se na forma invasiva e patogénica. Surge assim a colite amebiana, com períodos alternados de constipação e diarreia, com intervalos assintomáticos. Ocasionalmente, surge a disenteria amebiana, com graves ulcerações hemorrágicas do cólon, com toxicidade e que pode evoluir para perfuração intestinal, peritonite e morte.
Outra evolução invasiva é a disseminação pela via hematogénica e formação de abcessos metastáticos em outros orgãos geralmente no fígado, pulmões e raramente no cérebro.

Tratamento
O tratamento de todas as formas de amibas é feito com medicamentos que eliminam eficazmente o parasita em poucas semanas e permitem a recuperação completa. Ocasionalmente, é necessário drenar o abcesso do fígado.

Identificação da Entamoeba histolytica

1) A partir de fezes recentes
Observação de trofozoítos;
Observação de quistos
2) Após coloração
Observação de trofozoítos;
Observação de quistos
3) Método Imunológico
Elisa
4) Provas Serológicas
Imunofluorescência;
Electroimunodifusão;
Teste em Latex;
Hemaglutinação Indirecta.

1) A PARTIR DE FEZES RECENTES
Exame a fresco - Observação dos trofozoítos

Encontram-se geralmente em fezes disentéricas, liquefeitas, ou em culturas. Quando observados nestas condições, e logo após a emissão das fezes, esses trofozoítos costumam ser grandes e alongados, os núcleos não são visíveis e o seu diâmetro é de 10 e 60 micrómetros, conforme se localizem em ulcerações ou no lúmen intestinal.
Dotados de grande actividade, modificam continuamente de forma pela incessante emissão de pseudópodes. O seu movimento pode ser contínuo ou intermitente, consoante as condições a que estão expostos durante a observação, principalmente, a temperatura e humidade.
Na maioria das vezes, os pseudópodes são lançados numa das extremidades do trofozoíto, à qual imprimem uma movimentação tipicamente direccional. Outras vezes, retraem-se e emitem novos pseudópodes noutras direcções; ou pode ocorrer ainda a sucessão de pseudópodes numa só direcção e é tão rápida que a amiba parece estar a deslizar sobre a superfície observada.
Na região posterior à emissão de pseudópodes, verifica-se com alguma frequência, uma espécie de cauda - região uróide, à qual aderem residuos celulares, hemácias, bactérias, muco ou detritos, conforme a natureza das fezes.
O citoplasma distingue-se nitidamente do ectoplasma pois este é claro e periférico e do endoplasma pois este é finamente granuloso e nele se situam o núcleo e os vacúolos digestivos.

Exame a fresco - Observação de quistos

Os quistos da Entamoeba histolytica aparecem com estruturas redondas ou ovais, homogéneas, claras ou ligeiramente amareladas.
Os corpos cromatóides podem ser visíveis mas os núcleos não. Para que estes sejam visíveis terá de ser utilizado material fixado pela formalina, o mesmo acontecendo com os quistos corados pelo lugol diluído a 1/5.
Observa-se que parte do citoplasma está ocupado por uma formação que contém glicogénio - vacúolo de glicogénio. Quando corado pelo lugol, este apresenta uma coloração castanha ou amarela que contrasta bastante com o fundo amarelo do restante citoplasma. Nas preparações coradas pela hematoxilina férrica, o glicogénio dissolve-se e no seu lugar aparece um espaço claro e acinzentado.

2) APÓS COLORAÇÃO

Observação dos trofozoítos
Há uma nítida diferenciação entre o ecto e o endoplasma quando os trofozoítos são fixados em Schaudinn e corados pela hematoxilina férrica. O núcleo torna-se bem destacado, geralmente sob a forma esférica ou ligeiramente ovalada.
Os citoplasmas depois de delicadamente corados apresentam poucas inclusões fagocitárias.
Nos trofozoítos velhos em degeneração aparecem vários vacúolos e fungos.
Os trofozoítos que se localizam no lúmen intestinal são menores do que os observados nas ulcerações ou fezes mucossanguinolentas mas quanto à morfologia apenas diferem no conteúdo dos vacúolos digestivos.

Observação dos quistos

Os quistos da E. histolytica apresentam os corpos cromatóides de diferentes formatos, sendo a sua forma mais habitual a de bastonetes curtos e grossos, com pontas arredondadas. Por vezes, apresentam também a forma de massas ovaladas, esféricas ou regulares.
Tanto o glicogénio como os corpos cromatóides são mais frequentes nos quistos imaturos e tendem a desaparecer nos quistos de quatro núcleos.
Hoje em dia, estes métodos impossibilitam o diagnóstico preciso de uma Amebíase pois baseiam-se em exames de observação que fazem apenas a comparação entre as morfologias das várias Entamoebas (tamanho e formato).

3) MÉTODO IMUNOLÓGICO
Método de reacção enzimática - Método de ELISA
Detecta antigénios de E. histolytica. É um método sensível e bastante prático mas infelizmente não diferencia a forma comensal da invasiva nos antigénios.

4) TÉCNICAS SEROLÓGICAS
Detecta anticorpos de E. histolytica e trata-se de um método eficaz pois a forma comensal desta amiba não produz anticorpos.
Hemaglutinação indirecta
Princípio - O reagente é feito de células vermelhas de ovelha, sintetizadas por um antigénio solúvel obtido por cultura.
A reacção é efectuada em microplacas com fundo em U.
A presença de anticorpos anti-E. histolytica são reveladas por uma hemaglutinação que se traduz por um aspecto homogéneo de côr castanho-avermelhado observado dentro do poceto.
Quando não existem anticorpos específicos, as células vermelhas sintetizadas formam um anel no fundo do poceto.
Leitura dos resultados
Reacção negativa - Ausência de hemaglutinação. Observa-se um anel mais ou menos largo no fundo do poceto.
Reacção positiva - Presença de hemaglutinação. Não se observa o anel no fundo do poceto, mas sim, um véu uniforme de hemácias depositadas no fundo do poceto.
O título é dado pela primeira diluição que apresenta o anel.

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