Formigas e Abelhas

Na observação da vida das formigas podemos perceber relacionamentos maravilhosos entre o reino animal e o vegetal,  mas um relacionamento diferente daquele que conhecemos no mundo das abelhas.  Assim como as abelhas são animais voadores e do ar,  as formigas são sobretudo animais da terra com exceção do curto episódio do vôo nupcial.  Tudo nas formigas é mais terrestre,  mais endurecido,  a substância que constitui seus ninhos não é cera,  nem tecidos vivos como vimos nas abelhas,  seus ninhos são constituídos por partes de plantas mortas.  Assim temos pedaços de madeira,  folhas caídas e também a própria terra,  sob a forma de grãos de areia,  nesta substância com a qual as formigas fazem seus ninhos.
Tal como o vôo das abelhas as leva do espaço aéreo exterior ao seu ninho,  as trilhas das formigas levam estes animais para o mundo além do seu ninho e o caminho também é marcado por quantidades infinitesimais e finíssimas do seu veneno.  O vôo das abelhas as leva para as flores,  as trilhas das formigas as levam para os locais onde está o seu alimento que são também as fontes do seu néctar,  mas estes não são flores e sim os  "piolhos"  das plantas que sugam a seiva oculta das folhas e do caule das plantas para poder sustentar seu conteúdo de proteínas,  mas ao mesmo tempo eliminam o açúcar contido nesta seiva.  Existem famílias inteiras de plantas que podemos chamar de plantas das abelhas por exemplo,  as Labiatas e as Borragináceas.  Também podemos falar,  de mesma forma,  das plantas das formigas por exemplo,  determinadas Leguminosas e Rubiáceas.  Estas formam nas suas raízes,  caules etc.  verdadeiros ninhos que são habitados por determinados tipos de formigas e formam também,  às vezes,  o corpo de alimentação delas como vemos em determinados tipos de acácia que são para as formigas o seu alimento tal como os estames de muitas flores são o alimento das abelhas através do seu pólem.

Estes fenômenos e outros nos permitem um olhar profundo nas relações entre o mundo vegetal e o mundo das formigas,  o zelador dos bosques sabe apreciar intensamente as formigas dos seus bosques e tenta tudo para evitar danos a estes animais.  Um bosque sadio vive em uma atmosfera finamente impregnada por um gás,  pelo ácido das formigas que em belos dias de verão é perceptível por qualquer pessoa e que,  nestes momentos,  se mistura com o cheiro da terra dos bosques,  com o cheiro do húmus,  um cheiro refrescante,  ácido e urticante.  Basta sentir o aroma para se encontrar rapidamente o ninho de formigas.

Toda a vida das formigas acontece então dentro de um círculo aromático de ácido fórmico finamente disperso.  Também achamos uma atmosfera perfeitamente perceptível próxima a uma colméia de abelhas.
O mel é conservado,  para não fermentar,  por quantidades infinitesimais de ácido fórmico que as abelhas colocam na preparação do mel.

Ácido Oxálico

O relacionamento entre o mundo animal inferior e o mundo vegetal,  entre a natureza animal astralizada e a natureza vegetal eterificada se reflete especialmente em dois ácidos:  um vegetal e outro animal,  no ácido oxálico e no ácido fórmico.  Steiner indicou relações verdadeiramente maravilhosas que unem a animalidade e a vegetabilidade num determinado ponto,  que unem um acontecer vegetal e um acontecer animal,  uma atividade astral e processos etéricos.  Substâncias como as referidas permitem a atuação na interação dos membros essenciais humanos e pode-se fazer com eles realmente uma terapia dos membros essenciais.
Para o químico é bem conhecido com que facilidade o ácido oxálico pode ser transformado no ácido fórmico,  basta aquecer o primeiro apenas com glicerina e do ácido oxálico solúvel em água se separa o leve ácido fórmico volátil que pode ser destilado.
Tal como expressa o nome e a história do descobrimento destes dois ácidos,  o ácido oxálico se encontra especialmente no mundo vegetal e o ácido fórmico especialmente no mundo animal.

A expressão  "especialmente"  tem que ser enfatizada pois os dois ácidos se encontram nos dois reinos da natureza e também no ser humano e isto é compreensível pois também o ser animal tem um lado vegetativo e a planta limita,  com toda a sua organização,  o processo animal,  mas é de múltiplas formas tocada,  acariciada e inclusive determinada por este.

Mas não só o químico transforma o ácido oxálico em fórmico,  também no organismo humano acontece esta transformação,  de uma forma cheia de significado no inter-relacionamento sadio da organização vital,  da organização anímica e da organização espiritual do homem,  quer dizer do corpo etérico,  corpo astral e Eu.  Os processos de transformação de ácido oxálico em ácido fórmico tem especialmente a ver com a inter-relação de processos etéricos e astrais.  No capítulo 17 da obra  "Elementos Fundamentais Para Uma Ampliação da Arte de Curar Segundo os Conhecimentos da Ciência Espiritual",  chamado de  "O Conhecimento das Substâncias como Base do Conhecimento dos Medicamentos"  encontramos a seguinte citação:

"Encontramos um exemplo clássico no ácido fórmico.  Ele aparece no corpo das formigas como uma substância cáustica,  que provoca inflamação.  Aí ele é um produto de secreção.  O organismo animal correspondente precisa produzi-lo para que possa desenvolver sua atividade de maneira apropriada.  Na atividade secretora se baseia a vida.  Produzido o elemento da secreção,  ele carece já de uma tarefa no organismo.  Deve ser eliminado.  A essência do organismo jaz na atividade e não em suas substâncias.  A organização não é uma composição de substâncias e sim uma atividade.  A substância leva em si o estímulo para a atividade.  Se ele perde esse estímulo,  carece de significado para a organização.
No organismo humano também se forma ácido fórmico.  Aí,  porém,  ele tem sua importância.  Ele serve à organização do Eu.  Através do corpo astral,  eliminam-se da substância orgânica partes que buscam o estado sem vida.  A organização do Eu necessita dessa transição da substância orgânica para o estado sem vida.  Mas,  o que ele necessita é realmente do processo de transição,  não do que resulta dessa transição.  Se se forma aquilo que lutava para o estado sem vida,  isto converte-se no interior do organismo em uma carga.  E deve,  ou ser eliminado imediatamente,  ou ser dissolvido para ser eliminado ulteriormente.

Se algo que deveria ser dissolvido não o é,  acumula-se então no organismo e pode constituir o fundamento para estados reumáticos,  ou de gota.  Então surge no organismo humano como dissolvente,  o ácido fórmico em formação.  Se ele é produzido em quantidade necessária,  o organismo elimina de maneira correta aqueles produtos que tendem para o estado sem vida.  Se a força de produção é muito fraca,  aparecem os estados gotosos ou reumáticos.  Se o administrarmos de fora ao organismo,  auxiliamo-lo dando-lhe o que ele não consegue produzir sozinho.

Pode-se conhecer tais formas de atuação quando se compara no organismo humano,  a atuação de uma substância com a outra.  Tome-se o ácido oxálico.  Em determinadas condições ele pode se transformar em ácido fórmico.  O último representa,  em suas atuações,  uma metamorfose do ácido oxálico.  O ácido oxálico é uma secreção do vegetal como o ácido fórmico é uma secreção do animal.  A produção de ácido oxálico representa no organismo vegetal,  uma atividade que é análoga à produção de ácido fórmico no organismo animal.  Isto é,  a produção de ácido oxálico corresponde à esfera do etérico,  a de ácido fórmico à do astral.  As doenças que se manifestam nos estados gotosos e reumáticos são decorrentes de uma atividade deficiente do corpo astral.  Existem outros estados em que aquelas causas,  que na gota e no reumatismo surgem do corpo astral,  encontram-se colocadas no corpo etérico.  Ocorrem então não só congestionamentos de forças para o lado astral,  que se colocam no caminho de organização do Eu,  bloqueando-a,  mas também ocorrem atividades bloqueantes no etérico,  que não podem ser superadas pela organização astral.  Elas se expressam numa atividade lenta no abdômem,  nas inibições da atividade hepática e do baço,  em depósitos de cálculos da vesícula,  ou em algo semelhante.  Se se administrar nesses casos ácido oxálico,  apoiar-se-é da maneira correspondente a atividade do organismo etérico.  Pelo ácido oxálico consegue-se um fortalecimento do corpo etérico,  porque a força da organização do Eu,  através deste ácido,  é transformada numa força do corpo astral que age assim mais fortificado sobre o corpo etérico".

Encontramos também no organismo humano,  um finíssimo processo de formação de ácido oxálico a partir do qual se forma o processo do ácido fórmico.  Aquilo que o químico consegue de forma grosseira na transformação do ácido oxálico em ácido fórmico,  é realizado pelos processos fisiológicos dirigidos pelos membros essenciais de uma forma sutil,  onde o ácido oxálico tem seu papel principal na esfera do corpo etérico e o ácido fórmico na esfera do corpo astral.

Venenos como armazenadores de Espírito

O ácido produzido pelas formigas não tem importância para elas,  pelo menos não tem importância nos seus processos corporais internos,  por esta razão ele é excretado,  mas tem enorme importância para o meio ambiente para o qual é excretado.  Por isto a formiga se transforma em um órgão da própria vida terrestre,  assim como muitos outros animais inferiores.  Esta vida terrestre só pode se conservar e se renovar quando o elemento espiritual cósmico entra no elemento natural terrestre.  Às perguntas que aqui surgem,  Rudolf Steiner dá uma resposta surpreendente,  de acordo com a sua pesquisa,  os venenos são armazenadores de espírito,  o veneno é o caminho através do qual um elemento espiritual cósmico pode agir num mundo físico espacial.  Este elemento quer se expressar em seres que se encontram em um nível de desenvolvimento inferior para poder,  através de órgãos corporais especialmente formados,  incorporar este elemento espiritual em si.  Assim disse Steiner nas suas palestras sobre a essência das abelhas.  Só pelo fato das formigas estarem formadas desta forma,  pelo fato delas poderem produzir ácido fórmico,  só por isto tudo que elas fazem parece ser tão compreensível e racional.  Por isto que não a formiga isolada,  mas todo o formigueiro é como uma totalidade tão sábia.
Imaginemos frente a frente,  o homem e o animal inferior dotado da capacidade de produzir o veneno.  Por um lado temos o homem livre com a espiritualidade do seu Eu vivendo em uma organização corporal que é plena expressão desta essência e está plenamente estruturada por ele.

Toma o mundo como imagem através de seus perfeitos órgãos sensoriais,  mas imagens não são algo que obrigam,  imagens são algo que deixam livre e que possibilitam ao homem a sua singular posição livre na existência terrestre.  Frente a estes órgãos sensoriais magnificamente configurados,  temos lado a lado também as ferramentas da atividade que o deixam em liberdade,  pois não estão condicionados para nenhuma tarefa terrestre específica.  A mão do homem não é uma pata que está organizada para cavar,  nem uma asa destinada a voar.  Através da organização corporal,  nós não estamos amarrados a um determinado tipo de atividade.  Olhemos agora para uma formiga,  para uma abelha,  ou outro animal;  os sentidos imperfeitos não proporcionam imagens senão apenas sinais que dirigem o animal com uma compulsão cheia de sabedoria.  Em uma clarividência atávica e adormecida,  o animal inferior está totalmente amarrado e estruturado dentro de um meio ambiente e totalmente amarrado por seus órgãos a uma determinada atividade e precisa do processo finíssimo da formação de um veneno para manter o contato com a espiritualidade encarnada em sua espécie,  não como animal isolado e sim como espécie em sua totalidade.
A espiritualidade que envolve todo animal isolado de uma espécie cria para si,  na formação do veneno,  a porta de entrada na corporalidade animal.  Tal porta de entrada não está mais configurada pela formação de órgãos determinados e assim este elemento espiritual pode agir em todo o espaço vital do animal e em todas as relações em que este entra com os outros animais com as plantas e com a Terra como um todo.  Age perante as plantas através dos venenos animais produzidos vivificando-os e inclusive organizando suas forças formativas de uma forma especial.  Aí surgem determinados ácidos vegetais como o ácido oxálico,  o ácido tênico,  etc.  As inter-relações mútuas da essência animal e da essência vegetal,  do astral e do etérico se mostram então especialmente nas relações do ácido fórmico e do ácido oxálico.

Destes relacionamentos,  do elemento espiritual animal com a formação do veneno,  podemos perceber como podem agir terapeuticamente os venenos dos animais inferiores,  como o das abelhas,  por exemplo.  A organização espiritual da colméia que conserva nesta um nível de calor tão próximo da temperatura do sangue humano,  proporciona no veneno da abelha,  através do qual a abelha isolada permanece ligada à esta espiritualidade,  à abelha operária a mesma força de circulação que o homem tem em seu sangue.  Esta força de circulação entre o mundo das flores e a colméia leva os processos nutritivos através da população de abelhas.

A organização do Eu humano está submersa no sangue quente,  nos seus processos de calor,  nos seus processos de açúcar e de circulação.  Se a atividade da entidade do Eu se torna insuficiente nesta área,  podem surgir estados patológicos.  Os processos ativos no sangue não ficam então sob a condução da organização do Eu,  eles transcendem os seus limites e entram,  por exemplo,  na esfera neurosensorial onde poderão acontecer então processos inflamatórios.  O veneno das abelhas e das formigas se tornam portanto,  medicamentos capazes de corrigir inflamações nervosas e não só os processos reumáticos já descritos semelhantes à gota.

Preparados de Abelhas e Formigas

Tal como fizemos para os preparados orgânicos tomados dos animais superiores,  vamos dar agora alguns exemplos de preparados característicos de Apis e Formica,  mas antes iremos assinalar duas importantes diferenças entre eles.

A abelha,  calor,  ar,  flor

A abelha como animal do ar age especialmente no espaço aéreo transiluminado e transaquecido e procura aquelas partes das plantas que precisam de luz e calor para o seu desenvolvimento,  procura então as flores.  Isto é importante para entender as suas conseqüências terapêuticas.

Formiga,  Terra,  Decomposição

As coisas são totalmente diferentes com as formigas.  Elas estão orientadas sobretudo para o reino da Terra e o que nele se decompõe.  Elas agem nas sombras dos bosques,  na esfera úmida do húmus,  em total polaridade com aquilo que falamos a respeito das abelhas.  Steiner caracteriza,  em uma ocasião,  sua atividade da seguinte maneira:  "as formigas proporcionam aquilo que elas produzem como ácido fórmico para aquele elemento em decomposição,  morto e o estimula com isto,  em uma certa medida,  para a vida e com isso colaboram para que a Terra possa permanecer e sobreviver como um ser vivo em meio às coisas em decomposição".  (VIII Conferência sobre as Abelhas).

Apis  -  Inflamação aguda
Formica  -  Doenças crônicas degenerativas

As extensas experiências da homeopatia fornecem interessantes pontos de vista,  assim encontramos como indicação para Apis as seguintes:  Inflamações agudas da pele,  das mucosas,  das serosas,  febre,  impregnação edematosa dos tecidos.
As indicações para o uso de Formica vão mais na direção das doenças crônicas degenerativas,  nas quais não se encontra um episódio agudo inflamatório em primeiro lugar e sim um processo de desgaste progressivo crônico.

Naturalmente que estes dois processos nem sempre se cruzam.  Assim,  em caso de dor,  de lombalgia se poderia usar Apis ou Formica mas,  na essência,  pode se perceber diferenças,  respeitando-se o que falamos acima.

Interessante também é a diferença na homeopatia que mostra que o tipo Apis piora com o calor e melhora com o frio,  enquanto que o tipo Formica tem uma grande susceptibilidade à umidade e ao frio.

A tripartição do organismo humano

Da tripartição do organismo humano que já mencionamos muitas vezes,  podemos entender que os processos formativos estão mais relacionados com o sistema neurosensorial.  Em uma pesquisa cuidadosa do organismo humano,  encontramos também,  que na esfera cefálica,  a temperatura do sangue está em geral um pouco mais baixa do que na esfera metabólica.  Assim o sangue que desce,  da região da cabeça chega à veia cava superior com uma temperatura de 36, 8 ºC,  enquanto que o sangue que flui para o coração,  vindo das pernas e dos órgãos metabólicos,  atinge a veia cava inferior com uma temperatura de aproximadamente 39 ºC.
O pólo cefálico,  neurosensorial,  é então o pólo formativo e do frio.  No homem rítmico,  do meio,  reverberam os processos que equilibram os pólos neurosensorial e metabólico.  Na esfera metabólica e das extremidades encontramos a atividade,  o movimento.  A palavra  "metabolismo"  que significa intercâmbio de substâncias,  já nos mostra isso.  Além disso encontramos nesta região as mais altas temperaturas,  por isso podemos resumir o sistema metabólico e das extremidades como sendo pólo do movimento e do calor,  e assim surgem outros pontos de vista para o emprego terapêutico de Apis e Formica.

Apis aponta mais para o pólo metabólico do calor.
Formica aponta mais para o pólo neurosensorial.

Vespa crabo

Depois de falar sobre os venenos o que foi colocado anteriormente,  também podemos esperar alguma coisa terapêutica de um inseto tão agressivo como a Vespa.  A periculosidade e a intensidade do seu veneno são amplamente conhecidas mas uma explanação detalhada requereria um outro espaço.

 

Introdução

O presente artigo visa esclarecer algo a respeito do veneno da abelha desde a sua formação no interior do animal até a sua atividade fisiológica no corpo da vítima; iremos mencionar a composição química do veneno do animal, composição esta desvendada apenas nestes últimos anos através de uma série de trabalhos mencionados no decorrer deste artigo.
Esses dados, bastante recentes e referentes à composição química do veneno, constituem indicações sugestivas para a utilização, näo somente do veneno da abelha como substância terapêutica, mas de frações do mesmo no tratamento de uma série de doenças.

Este artigo seguirá a seguinte ordem:

Produção do veneno e sua liberação durante a picada.
Atividade fisiológica do veneno.
Composição do veneno da abelha.
Atividade farmacológica do veneno da abelha no ser humano.
Utilização terapêutica do veneno da abelha e de seus componentes e análogos.

Produção do Veneno e Sua Liberação Durante a Picada

O veneno, desde a sua produção até a sua liberação através da picada, percorre um sistema bastante complexo que consiste de:
Sistema glandular
Saco de veneno
Bulbo do ferräo com sua respectiva organização muscular
Ferrão


Aparelho produtor de veneno:

O aparelho produtor de veneno está fracamente ligado ao animal; o ferrão da abelha, situado na parte terminal do aparelho, fixa-se fortemente à vitima. Isso faz com que a abelha, ao escapar, abandone o aparelho que permanece fincado injetando o veneno no interior da vítima. Isso acarreta a morte da abelha.
O aparelho produtor do veneno tem uma outra autonomia; ao tocarmos na parte posterior de uma abelha morta, podemos desencadear todos os movimentos do ferrão que penetrará na pele tal como na picada realizada por uma abelha viva.
O desenho abaixo mostra esquematicamente o aparelho do veneno; tal esquema está desenhado no trabalho de O' Connor, R. e Peck, L., no Journal of Chemical Education Vol. 57 N. 3 pg. : 207-209.

Sistema glandular:

Ao contrário do que afirmam muitos livros, o veneno da abelha não é constituido apenas pelo ácido fórmico. Análises recentes revelam que essa substância se encontra em mínimas quantidades no veneno. Esse fato não impede que a glândula produtora do veneno, ainda hoje, seja denominada "glândula do ácido", apesar do veneno da abelha não ser ácido e sim alcalino.

Saco do veneno:

É um reservatório que recolhe o veneno produzido pelo sistema glandular. Esse saco não possui movimento próprio, ou seja, quando a abelha pica, ele não se contrai; ele apenas retém o veneno funcionando como um reservatório.

Bulbo do ferrão:

É um pequeno saco cuja extremidade superior se comunica com o saco de veneno e cuja extremidade inferior se comunica com o ferrão. O bulbo do ferrão, apesar de não possuir movimento próprio, funciona como uma bomba impulsionada por uma série de músculos que circundam o bulbo.

Organização muscular:

Tais músculos se relaxam e se contraem executando um movimento de bombeamento; ao se contrairem, contraem o bulbo do ferrão e com isso o veneno é enviado ao ferrão; tais músculos, ao se relaxarem, permitem que a substância contida no saco do veneno flua até o bulbo do ferrão.

Essa organização muscular, ao se contrair e relaxar, imprime um duplo movimento:

Movimento de bombeamento do bulbo do ferrão - acabamos de mencionar.
Movimento do ferrão - veremos adiante.

Ferrão:

Em situaçäo normal, o ferrão permanece no interior do animal; a abelha pode expor êsse ferrão que consiste de 3 segmentos que se unem formando uma estrutura semelhante a uma agulha de injeção, mas uma agulha formada por 3 partes, e que no final se afila e se bifurca em duas pontinhas, conforme mostra o desenho abaixo:

Desenho: Corte Transversal do ferrão da abelha
A = Canal por onde passa o veneno
B = Estilete móvel
C = Estilete móvel
D = Estilete fixo
E = Encaixe

Os estiletes B e C estão encaixados no estilete fixo D. B e C sobem e descem alternadamente e com isso o ferrão vai penetrando cada vez mais profundamente.
Os músculos causadores do bombeamento também são responsáveis pelo movimento das partes do ferrão.

Atividade Fisiológica do Veneno

Tivemos ocasião de abordar o veneno desde a sua produção até a sua liberação; iremos agora mencionar o que acontece quando o veneno penetra no interior da vítima.
A reação à picada da abelha varia muito em função de muitos fatores entre os quais o número de picadas, a localização das picadas, estado de saúde do paciente e a capacidade de reação do paciente contra as picadas de abelhas (capacidade de produzir anti-corpos).

A resposta ao veneno da abelha é classificada em 5 categorias:

Resposta normal para uma ou muitas picadas.
Reação local na vizinhança das picadas.
Reação tóxica a um grande número de picadas.
Lenta resposta fisiológica.
Reação geral mais frequentemente associada à hipersensibilidade aos componentes do veneno.

Resposta normal:

É caracterizada por uma dor aguda que dura alguns minutos; essa dor é localizada e raramente severa; muitos componentes do veneno, e mesmo a inteiração entre os vários componentes é que produzem a dor, mas o principal responsável é a 5 Hidroxi triptamina.

Reação localizada na vizinhança das picadas:

A dor da picada permanece durante alguns minutos mas a reação local na vizinhança da picada (edema, rubor, calor e coceira) persistem durante horas. Uma reação local mais severa pode ser perigosa quando o indivíduo receber muitas picadas ou quando as picadas forem próximas aos olhos. O primeiro socorro é remover o ferrão (que continua bombeando o veneno mesmo depois da abelha ter abandonado a vítima) e colocar água fria ou gelo no local. Tabaco picado e molhado com água ou tabaco picado misturado com cebola moída, é um procedimento muito difundido no interior de São Paulo e proporciona um alívio quase que imediato à dor e ao ardor da picada, não só da abelha mas de marimbondos e também alivia a irritação e a dor causadas pelo contacto com o pelo de taturanas.

Reação tóxica a um grande número de picadas:

Raro é o caso de uma picada produzir reação tóxica; isso ocorre quando há um grande número de picadas. Peck, L. cita o caso de um menino de 13 anos ter sobrevivido a 2.243 picadas ocorridas num período de 4 a 5 horas.
A toxidade do veneno da abelha é muito maior quando este for administrado por via endovenosa; a picada da abelha equivale a uma injeção sub cutânea. Se as abelhas picarem regiões intensamente vascularizadas, a possibilidade dessa picada atingir uma vênula ou uma arteríola é maior e, nesse caso, tal agressão se torna mais perigosa.

Medicação necessária para evitar uma reação tóxica:
Gluconato de cálcio injetável; talvez os anti-histamínicos sejam indicados.

Resposta fisiológica atrasada:

Há na literatura casos de morte causada por uma única picada de abelha. Tais casos são muito raros e costumam ocorrer 30 minutos após a picada.

Reações generalizadas associadas à hiper sensibilidade ao veneno:

Tais reações variam desde um ligeiro desconforto até o choque anafilático, que frequentemente leva à morte. Pursley-Amer. Bee J. 113 131 1973 menciona 4 estágios de resposta alérgica ao veneno da abelha:

Reação fraca: Manifesta-se através de coceiras, manchas vermelhas espalhadas na pele e uma certa indisposição.
Reação geral: Os sintomas anteriores estão acompanhados de edema longamente espalhado, respiração difícil, constricção do peito, cólicas abdominais, náuseas e vertigem com ou sem vômitos.
Reação geral violenta: Além dos sintomas acima, o paciente tem dificuldades de engolir ou de respirar, fraqueza intensa, com ou sem distúrbios psíquicos.
Choque: se não for tratado rapidamente, pode ser fatal. O uso de epinefrina no momento do choque pode salvar a vida.
Pessoas com hiper-sensibilidade, suspeitas de sérias consequências devido a picadas de abelhas, podem receber um tratamento de hipo sensibilização usando preparados alergênicos especiais, receitados por alergistas, mas isso não é algo sempre efetivo.
As esposas dos criadores de abelhas são muito susceptíveis à alergia provocada pela picada de abelha, possivelmente pelo desenvolvimento de uma sensibilidade devido a uma constante inalaçäo das partículas aderidas às roupas de seus maridos.

Composição do veneno da abelha

 
Componentes % Comentários
ENZIMAS 13-15%  
Fosfolipase 12% Há 2 ou 3 moléculas já identificadas.  É um antígeno ligado à destruição das células vermelhas do sangue. 
Hialuromidase 1-3% Responsável pela dispersão do veneno através do tecido. 
Outros ? Foram encontradas 7 enzimas,  mas isso não foi confirmado no veneno puro. 
PEPTÍDEOS
Moléculas Grandes
50-60%  
Melitina 50% 3 moléculas encontradas;  contribuem para que haja desnutrição das células vermelhas. 
Peptídios provenientes
dos grânulos eliminados

pelas células glandulares

(MCD peptide).  MCD =

Mast cell degranulation
2% Liberam histamina das células da glândula.  Podem ser promissores numa atividade terapêutica anti-artrite. 
Apamina 2% Potente neurotoxina
Inibidores da protease 2% Protege as enzimas e peptídios  (proteínas)  contra a destruição causada pelas enzimas. 
Pequenas Moléculas 24%  
Procamina 1% Peptídio proveniente da parte terminal da molécula de histamina. 
7 pequenos peptídios 14% Provávelmente são fragmentos provenientes dos grandes peptídios. 
Glicose e frutose 2% Função desconhecida no veneno 
6 fosfolipídios 5% Função desconhecida no veneno 
5 hidroxi-triptamina ? Deve contribuir na emanação dolorosa da picada 
Dopamina e
nor-adrenalina
  Podem afetar o rítmo cardiaco 

Mecanismo Geral da Ação do Veneno de Abelha no Ser Humano

- Farmacologia -

Substâncias envolvidas no primeiro estágio

Hiarulomidase, peptídio resultante da degranulação das células glandulares (MCD Peptide), inibidores da protease e algumas pequenas moléculas.

O que acontece no 1º estágio

O inibidor da protease evita que a hieluronidase (que é uma enzima e portanto uma proteína) seja destruida.
A hialuronidase degrada os polímeros do ácido hialurônico que funcionam como cimento intercelular; com isso o veneno pode se espalhar através do tecido.
Simultâneamente o peptídio MCD interage com as células da pele liberando histamina. Esta substância, junto com algumas pequenas moléculas do veneno contribuem para produzir as sensações de calor, irritação e coceira, típicas da picada.
Nos indivíduos hiper-sensíveis, a hialuronidase pode produzir imediatamente uma reação antígeno-anti-corpo desencadeando uma resposta alérgica (Os anticorpos protetores, presentes no sôro da maioria dos apicultores podem efetivamente neutralizar a hialuronidase, evitando que o veneno se espalhe).

Substâncias envolvidas no 2º estágio

Fosfolipase A e Melitina

O que ocorre no 2º estágio

O veneno penetra nos capilares e cai no sistema circulatório. Na corrente circulatória, a fosfolipase A e a melitina atuam em conjunto produzindo a ruptura das células sanguíneas. Na maioria das vezes a hemólise é localizada, exceto nos casos de múltiplas picadas ou do veneno ter sido injetado diretamente na corrente circulatória. Tanto a Melitina quanto a Fosfolipase A produzem reações alérgicas.

Substâncias envolvidas no 3º estágio:

Efeitos tóxicos muito severos que ocorrem neste estágio, porém tais efeitos aparecem apenas quando há quantidades apreciáveis de veneno na circulação.
Apamina atua como veneno do Sistema Nervoso Central. Tanto a melitina quanto a Fosfolipase A são altamente tóxicos. Grandes quantidades de histamina, produzidas pela ação do peptídeo MCD nas células glandulares, contribuem para potencializar a toxicidade. A atuação de outros componentes do veneno ainda é desconhecida. Quando o indivíduo apresentar poucas picadas, os efeitos tóxicos ocorridos nesse 3º estágio serão insignificantes.

Substâncias envolvidas no 4º estágio

Hialuromidase, Fosfolipase A e Melitina.

O que ocorre no 4º estágio

Indivíduos hiper-sensíveis podem apresentar um desencadeamento da reação Antígeno-A-Corpo em relação a algum ou a alguns desses componentes do veneno.
Reações severas podem produzir morte por choque anafilático. É estimado que algumas centenas de milhares de pessoas nos Estados Unidos sejam alérgicas à picada de abelha.

Utilização terapêutica do veneno da abelha e de seus componentes Sintéticos e análogos.

Os maiores interesses no veneno da abelha como agente terapêutico se situam em 3 áreas:
Tratamento da hiper sensibilidade individual à picadas de abelha a ponto de reduzir a possibilidade de ocorrer uma reação

alérgica grave.
Terapia da artrite.
Proteção a radiações.

Em relação aos itens 2 e 3 é necessário que sejam produzidas substâncias sintéticas, pois cada inseto fornece 0,1 mg de veneno sólido e a separação dos componentes da mistura complexa é algo tedioso, não sendo viável utilizarmos os princípios ativos extraídos do veneno.

Terapia da Artrite

Antigamente era aconselhado o uso do veneno de abelha nos casos de artrite reumatóide, mas essa técnica de injetar o veneno não é aceita em todos os países, pois alegam que não há informações suficientes sobre a eficácia do tratamento, nem sobre os efeitos colaterais; há ainda uma certa relutância em alguns círculos em adotar um medicamento popular usando uma mistura natural de vários componentes onde nem todos foram identificados, cuja pureza é difícil de determinar, e cuja dosagem é difícil de padronizar. Os experimentos, contudo, revelam que essa terapia deveria ser mais estudada e ainda, deveriam continuar um estudo da atividade terapêutica da fração dos venenos.
As propriedades anti inflamatórias do peptídio MCD, juntamente com sua baixa toxicidade, sugerem que esta substância seja utilizada nessa doença em substituição à terapia que utiliza todo o veneno. Esse peptídio, cuja estrutura é mostrada abaixo, já foi sintetizado e ainda necessita de intensos estudos.

Proteção às radiações

Melitina e fosfolipase A são substâncias rádio protetoras, ou seja, substâncias que protegeram os animais de laboratório de altas doses de radiações de alta energia. Essas substâncias podem produzir alergias e efeitos tóxicos no homem.
A descoberta de peptídios formados pela parte terminal da molécula de histamina, presentes no veneno da abelha, levou à síntese de um simples análogo, a glicil-histamina que oferece consideráveis esperanças como um futuro fármaco-protetor. (Peck, m. l. e colaboradores: Toxicon 16 690 (1978) )
A decisão de estudar esse tipo particular de molécula foi tomada diante do fato da histamina possuir propriedades protetoras contra rádio-atividade típicas de muitos agentes quelantes do íon Cobre II. A Glicil-histamina, um produto sintético, possui a propriedade de quelar íons cobre II e não possui todos os efeitos colaterais da histamina; A Glicil-histamina foi sintetizada e testada em animais e se mostrou um ótimo agente rádio-protetor de pouca toxicidade. Sua aplicação aguarda futuros estudos.

PRÓPOLIS - ORIGEM, COMPOSIÇÃO QUÍMICA E ATIVIDADE TERAPÊUTICA

Van Haelen, R. et al. Journal de Pharmacie de Belgique 34, 253 - (1979).

Etimologia: grego - pro = antes
polis = cidade

Refere-se a uma das utilizações que as abelhas fazem da própolis, que consiste em tapar ou reduzir um buraco da saída da colméia.
Definição: O térmo própolis designa uma amálgama de substâncias, cerosas e balsâmicas, recolhidas pela abelha a partir, principalmente das seguintes plantas (isso se refere à Europa)

Populos sp Pinus sp Ulmus sp
Betula sp Prunus sp Quercus sp
Alnus sp Abies sp Aesculus hippocastanum
Pícea sp Salix sp Fraxinus excelsior

Origem: A hipótese segundo a qual a própolis seria unicamente um subproduto da digestão do pólen pelas abelhas (teoria da origem interna) é pouco viável; existem grandes divergências de composição química entre o pólen e a própolis. Apesar disso, a própolis difere, tanto do ponto de vista qualitativo quanto quantitativo, das resinas vegetais que a compõe. Há modificações antes da utilização da própolis na colméia, devido a incorporação de enzimas regurgitadas pelas abelhas e de substâncias resinosas provenientes da digestão do pólen.
Segundo pesquisas recentes efetuadas a partir da Betula verrucosa, a própolis seria recolhida a partir das secreções dos brotos latentes (pequenos botões verdes localizados na intersecção entre a folha e o galho, brotos esses que permanecem em repouso durante todo o verão). A composição da própolis se aproxima das secreções produzidas por esses brotos em estado de hibernação. As abelhas não produzem própolis no inverno. Essa hipótese é altamente sustentada devido o alto teor de substâncias do tipo "inibidores do crescimento vegetal" presentes na própolis. Além disso, a composição química e a atividade anti-bacteriana dos extratos de própolis são próximas às apresentadas pelos extratos de brotos de Populus nigra ou Betula sp.
A propolização (formação da própolis) se observa durante os períodos mais quentes do dia e, em geral, a partir do início do verão até o outono mas algumas vezes também a partir da primavera.

Utilização pelas abelhas

Uma vez colhido pelas abelhas operárias especializadas, a própolis é utilizada principalmente como cimento e como material de vedação das paredes internas e dos favos das colméias. Esse reboque permite a assepsia da colméia; permite também às abelhas "mumificar" os cadáveres dos inimigos muito volumosos que não podem ser removidos; evitando uma putrefação no interior da colméia.

Composiçäo química

As características macroscópicas e organolépticas da própolis diferem segundo a origem e a técnica de colheita. A utilização de grilos de plástico ou de aço inoxidável (dispositivos comercializados na França e nos países do Leste) constitui a solução mais racional para a obtenção de amostras padronizadas contendo pouca cera e pouco material estranho. Os grilos, após terem sido colocados nos favos, fazem com que as abelhas comecem a obturar os orifícios com a própolis; com isso, a colheita da própolis se torna bastante facilitada. O odor da própolis lembra frequentemente aquele desprendido pelos brotos de Populus nigra: ele evoca uma mistura de iso-vanilina e vanilina, compostos que são identificados por cromatografia, em muitos brotos.
Uma mistura apropriada de solventes permite dissolver a maior parte dos constituintes da própolis. A parte insolúvel é constituida por materiais orgânicos, tecidos vegetais, grãos de pólen, resíduos de cutícula e de pedacinhos de abelhas. A presença de traqueítes constitui um índice útil para a determinação das amostras colhidas a partir das resinas das Coníferas, A identificação microscópica dos grãos de pólen, da mesma maneira que para o mel, constituiria um método muito preciso para repertorizar as espécies vegetais que entram na constituição da própolis, mas as amostras de própolis são contaminadas pelo pólen; mesmo assim, somente alguns laboratórios especializados estariam em condições de efetuar tais identificações.
A análise gravimétrica dos resíduos, insolúveis em solventes orgânicos e na água, efetuada a partir de diferentes amóstras de própolis, fornece resultados extremamente variáveis.
Os resíduos de calcinação, ao contrário, são muito próximos. Parece pois, que os materiais estranhos são constituídos de substâncias orgânicas e não de substâncias minerais. Os constituintes da própolis solúveis nos solventes orgânicos se dividem esquematicamente em:

Ceras: 30%
Bálsamos e óleos essenciais: 60%
Os principais constituintes identificados até agora e capazes de produzir uma atividade terapêutica encontram-se na tabela abaixo; um grande número deles atua inibindo o crescimento vegetal.


Utilidades terapêuticas

A própolis, conhecida desde a antiguidade, associa uma atividade antibacteriana e anti-fúngica, possui um efeito importante na regeneração tissular e tem uma ação anestésica marcante. A atividade anti-bacteriana se manifesta principalmente nos germes Gram + e também nos germes Gram -. Essa atividade é marcante em relação ao Staphylococcus sureus, S. epidermis, Bacillus subtilis, B. alvei e Proteus vulgaris. A própolis é menos ativa na Salmonella Dublin, S. galinarum, E. coli B. e B. larvae. A própolis possui atividade nula em 4 cepas de E. coli e Pseudomonas aeruginosa. Todavia os resultados diferem segundo os autores; essas divergências devem, provavelmente, ser atribuídas às diferenças da origem e/ou às técnicas de recolhimento não padronizadas.
A própolis contém um antibiótico diferente daquele encontrado na abelha e que é bem ativo contra o Mycobacterium tuberculosis; isso levou os médicos dos países do Leste a utilizar a própolis (com sucesso, segundo eles) no tratamento da tuberculose pulmonar.
Além disso, a própolis apresenta uma atividade anti-oxidante devido à presença de Flavonóides podendo ainda conter fitoecdisanas.
A utilização da própolis na terapia vai desde a dermatologia (agente cicatrizante e antiinflamatório nas úlceras, eczemas, psoriases, zona e herpes) até a estomatologia (promove a retração das gengivites e é benéfico na paradontose), passando pela otolaringologia (indicada no tratamento das moléstias do ouvido e das vias respiratórias superiores e profundas) e ginecologia. A própolis pode ser administrada tanto oralmente - no tratamento de certos distúrbios do trato gastrointestinal (úlceras, colites) - quanto externamente como constituinte de certos produtos cosméticos (dentifrícios, desodorantes).
As formas farmacêuticas existentes são fabricadas nos países do Leste. Unguentos, soluções oleosas, emulsões, aerossóis, etc. são obtidos a partir dos extratos etanólicos, etéricos, aquosos ou oleosos (tinturas, extratos fluídos, moles e secos).
O melhor veículo para a preparação das tinturas e dos extratos parece ser o etanol a 70%. Os extratos assim obtidos apresentam a mais intensa atividade anti-bacteriana.

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O desenho e o texto a seguir não fazem parte do trabalho original e são, na realidade, citações contidas no livro "As Abelhas" de Eduardo Sequeira (Editorial Domingos Barreira - Porto).

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