Acidente e a Frustração do Salvamento

Acidentes com Submarinos Nucleares, o Kursk

Durante a Guerra Fria, a União Soviética chegou a ter 200 submarinos nucleares. Cerca de 100 permanecem desativados nas proximidades das bases do norte da Rússia, da costa asiática e do Mar do Japão. Os mísseis nucleares foram retirados, mas os reatores continuam lá, geralmente 2 por nave, fazendo desses depósitos de sucata uma espécie de Chernobyl em câmera lenta em toda a região do Ártico, na definição dos ecologistas noruegueses.
 
O país estava quebrado quando arriou a bandeira vermelha soviética, em 1991, e hoje está na categoria das nações sem dinheiro em caixa para a manutenção de grande força militar. A máquina de guerra montada pelo Estado soviético está fora de ação, apodrecendo em bases militares e portos. A frota de submarinos e o arsenal nuclear são os únicos componentes das Forças Armadas russas que ainda inspiram respeito ao generalato americano.

Quando a rádio de Murmansk, cidade no norte da Rússia, informa aos ouvintes as condições do tempo, onde está o grosso do cemitério de submarinos, aproveita para dizer quais são os níveis de radiação. A frota de superfície não está em melhor situação.  

Na última década, 1.000 embarcações foram tiradas de circulação. Até navios que estão operando normalmente, na acepção russa da palavra, exibem sinais da decadência: por falta de alojamento, famílias de oficiais instalam-se a bordo, com filhos, tralha de cozinha e varais para secar roupas.

No começo da década de 80, quando a Guerra Fria estava no ápice, o orçamento militar batia nos 200 bilhões de dólares. Em 1996, com o país já adernado, ainda girava na esfera dos 20 bilhões. Hoje, não passa de 5 bilhões de dólares – menos de 2% dos 300 bilhões gastos pelos americanos. Na Marinha de Guerra, as cotas de combustível sofreram um corte de 65%; a comida para o rancho dos marinheiros encolheu 60%. A Marinha ficou literalmente encalhada: 95% das embarcações não saíram dos portos.

Submarino Kursk, K-14

O Kursk fazia parte de uma porcentagem ínfima do equipamento militar soviético que ainda podia funcionar a contento. O nome Kursk vem de uma cidade na Rússia a 450 km a sudoeste de Moscou, onde se deu a maior batalha de tanques da história, durante a Segunda Guerra Mundial.

Após a  batalha de Stalingrado, russos e alemães depois se enfrentaram na estepe de Kursk de 4-13.07.1943, no que foi uma das maiores batalhas da Segunda Guerra e o início da ofensiva soviética e queda do Nazismo, quando 3.000 Panzers alemães tiveram que se retirar com o ataque de 4.000 tanques soviéticos matando 50.000 alemães e 250.000 soviéticos. No ápice da batalha, 12 de julho, 350 tanques foram destruídos perto de Prokhorovka.

Kursk é uma das cidades mais antigas da Rússia (mencionada em documentos desde 1032) e é situada numa das áreas mais ricas em ferro do mundo.

O submarino tinha apenas 5 anos de uso e era das melhores peças do arsenal bélico russo. O Kursk era o quartel-general da maior manobra naval que a Armada russa realizava desde 10.08.2000 com o uso de 18 embarcações, outros submarinos e aeronaves.

O Kursk era um submarino nuclear projetado para atacar porta-aviões e podia lançar até 24 mísseis de cruzeiro de uma só vez. Esse tipo de submarino, que pertence à classe Oscar II, segundo a denominação usada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte, forma a espinha dorsal da flotilha russa antiporta-aviões, que tem mais 9 submarinos idênticos a este (K-148 Krasnodar, K-132 Belgorod, K-119 Voronezh, K-173, K-410 Smolensk, K-442, K-456 Kasatka, K-266 Orel (ex-Severodvinsk), K-186 Omsk).

Os mísseis disparados por submarinos como o Kursk são supersônicos e podem ter ogivas nucleares. Cada um dos mísseis pesa 7 toneladas e tem um alcance de mais de 500 km. Completando o armamento, há também torpedos. O Kursk era comandado por Gennady Lyachin, de 45 anos. Maior que o Kursk, só o Typhoon russo(175x22,8x11,5), o maior submarino do mundo, classe Akula, que carrega 24 mísseis de 10 ogivas nucleares cada um e tem poder explosivo maior que o usado ao longo de toda a Segunda Guerra.

O tipo Antey II, classificação russa, foi planejado para ser completamente diferente das embarcações mais antigas. Sua arquitetura interna lembra um navio de superfície. 

O consumo de oxigênio não está sujeito a nenhuma restrição, o que permite até a prática de ginástica numa miniacademia, um refeitório com mesas forradas com toalhas, fumódromo e até uma sala de vídeo para o lazer da tripulação. O objetivo de tanto conforto, distribuído em 3 pavimentos, é criar as condições psicológicas para longas permanências debaixo d'água, que podem chegar a 4 meses sem emergir.

O Kursk é dividido em 10 compartimentos estanques, exatamente para que se possa isolar pontos alagados. O submarino foi projetado para flutuar, mesmo parcialmente alagado. 

Os projetos das embarcações prevêem saídas especiais para o caso de emergência, uma delas pela tubulação de disparo de torpedos. Macacões infláveis que sobem soltando o ar, com proteção contra a pressão do fundo do mar, tornaram-se equipamento-padrão de salvamento.

O Kursk possui uma cápsula ejetável na torreta. Pode abrigar toda a tripulação e se separa da nave com a ajuda de explosivos. Não pôde ser utilizada no desastre provavelmente porque o caminho que leva para lá foi o primeiro lugar a ser inundado.

O barco de 14.000 toneladas estava em águas relativamente rasas, 108 m de profundidade. Se fosse possível colocá-lo em pé, ficaria com mais de 40 m acima da superfície do mar.

Ele pode ser enorme por fora (154x18.2x9), mas o casco duplo, com uma distância entre eles de até 3,5 m em alguns pontos, reduz drasticamente o espaço interno. Os reatores nucleares e o compartimento do motor ocupam a parte central. A tripulação de mais de 100 pessoas comprime-se em espaço exíguo, com água e comida racionadas. São apenas 3 banheiros, um para cada grupo de cinqüenta marujos e o privativo dos oficiais. Chuveiradas de mais de 10 minutos são proibidas. Os beliches com 3 leitos ficam enfileirados num compartimento que ocupa menos de 10% de toda a área útil da embarcação. O vão livre entre os leitos é de apenas 60 cm, suficiente para que uma pessoa fique deitada de lado. O ar não é problema porque a embarcação retira oxigênio da água do mar, por meio de reações químicas. Enquanto existir energia a bordo, não há falta de oxigênio. Quando os motores param, como ocorreu depois do acidente com o Kursk, só é possível contar com os sistemas de emergência. 

Se dependesse apenas da produção de oxigênio, um submarino como o Kursk poderia ficar até 2 anos debaixo d'água, diz o vice-almirante Othon Luiz Pinheiro da Silva, da reserva da Marinha brasileira. Só não fica porque ser humano algum agüenta tanto tempo de confinamento.

Um submarino desses é um ambiente potencialmente perigoso. Carrega uma grande quantidade de armamento e 2 reatores nucleares. As baterias que acumulam energia elétrica produzem gases venenosos como cloro e hidrogênio. 

Tudo feito para se transformar, em caso de acidente ou mau funcionamento, em uma terrível ameaça à vida.
 
Datas Acidentes com Submarinos Nucleares 
Julho de 1961 O capitão e 7 membros da tripulação morreram quando vazou radiação do primeiro submarino nuclear da União Soviética. Um tubo do sistema de controle dos 2 reatores havia se rompido
10.04.1963 O Thresher, submarino nuclear norte-americano, desaparece na costa da Nova Inglaterra: 129 mortos.
8-10.03.1968 O submarino soviético do tipo Golf II (a classificação é da OTAN), a diesel, que carregava 3 mísseis do tipo SS-N-5, afundou no Pacífico. O submarino K-219 também poderia estar carregando 2 torpedos nucleares.
21.05.1968 O submarino nuclear norte-americano Scorpion desaparece entre as ilhas Açores e a costa leste dos Estados Unidos: 99 mortos.
12.04.1970  O submarino nuclear November afundou no Oceano Atlântico, próximo à Espanha. O submarino K-8 estava equipado com 2 reatores nucleares e carregava 2 torpedos. Pelo menos 88 marinheiros soviéticos teriam morrido.
08.09.1977 O submarino Delta 1 bateu acidentalmente numa ogiva de míssil na península de Kamchatka, no nordeste do país.
21.08.1980 Declarado um incêndio a bordo de um submarino nuclear soviético classe Echo 1, a leste da ilha japonesa Okinawa: 9 mortos e cinquenta feridos.
Junho de 1983 Um submarino nuclear soviético classe Charlie com 90 homens a bordo afunda perto da península de Kamchatka no Pacífico Norte, segundo os serviços de inteligência norte-americanos.
10.08.1985 Uma explosão devastou a Shkotovo 22, uma plataforma de consertos de navios e serviços de abastecimento nuclear da Marinha soviética. Morreram 10 pessoas. Muitas morreram depois, por terem ficado expostas à radiação. 
06.10.1986  Um submarino nuclear classe Yankee, K-219, que carregava 16 mísseis SS-N, cada um com 2 ogivas, além de 2 torpedos nucleares, naufragou a cerca de 1.000 km ao nordeste das Bermudas, sofreu um grave incêndio provocado pela explosão de um míssil num dos condutos de lançamento: a agência TASS fala de 4 mortos.
07.04.1989 Depois de uma explosão começa um incêndio a bordo de um submarino nuclear soviético classe Mike. O K-278 Komsomolets afunda em águas internacionais a 500 km da Noruega carregando 2 torpedos nucleares. Segundo Moscou, que descarta o risco de contaminação radioativa, há 42 vítimas fatais.
27.09.1991 Durante exercícios de treinamento a bordo do submarino Typhoon no Mar Branco, um míssil errou o alvo. O submarino, armado com mísseis nucleares e torpedos, retornou à base com segurança. 
29.05.1992 Explosão a bordo de um submarino nuclear russo da Frota do Norte: 1 morto e 4 feridos.
20.03.1993 O submarino nuclear Delta 3, que carregava mísseis balísticos e operava no Mar de Barents, foi atingido pelo submarino nuclear norte-americano Grayling. Ambos voltaram para as suas bases. Segundo o Pentágono, o Grayling investiu acidentalmente contra a nave russa. Não houve vítimas nem vazamento radiativo. 
18.08.1993 Colisão entre o submarino de ataque francês SNA Rubis e o petroleiro Lyria em frente à costa de Toulon (sul da França). Há leves danos nas duas naves e poluição.
30.03.1994 Explosão de um dos 2 condensadores de vapor do submarino de ataque francês Emeraude: 10 mortos.
07.11.1994  O submarino nuclear de ataque USS La Jolla se choca contra um navio do Exército norte-americano encarregado de recuperar os torpedos durante manobras navais no mar de San Diego (Califórnia, oeste dos EUA). Não houve vítimas.
17.05.1996 Um submarino nuclear de ataque norte-americano Jacksonville se choca com o navio saudita Saudi Mekka em águas da base de Norfolk, na Virgínia (EUA). O submarino sofre defeitos mas não há vazamento nem danos no reator.
26.01.1998 Um acidente na câmara do reator de um submarino nuclear russo baseado na península de Kola deixa 1 morto e 4 feridos, sem causar vazamento radiativo.
05.05.1998  Um grave acidente acontece a bordo de um submarino nuclear russo da classe Delta IV equipado com 16 mísseis intercontinentais, cada um com 4 ogivas nucleares de 1.200 quilotons, no Mar de Barents. Acidente desmentido pelo comando da Frota do Norte mas tornado público pela imprensa no dia 27 de maio.
12.08.2000 Um submarino tipo Oscar II, Kursk (K-141), sofreu 2 explosões forçando o fechamento do seu reator nuclear, o que provocou em seguida o naufrágio no Mar de Barents, com 118 tripulantes.

O Acidente do Kursk e a Frustração do Salvamento

"Spassite Nashi Dúshi"

Assim como o acidente de Chernobyl aconteceu durante um teste de avaliação de segurança, o Kursk afundou durante um exercício de salvamento no Mar de Barents, no norte da Rússia. Os velhos hábitos demoram a morrer e Moscou agiu de acordo com códigos do tempo do comunismo, cuja regra de ouro era manter absoluto segredo sobre fiascos militares e tecnológicos, não importando o número de mortos. A Noruega e a OTAN estavam de olho no Mar de Barents, assim como a Suécia captou os primeiros sinais de problema há 14 anos.

A Marinha russa não conseguiu retirar seus sobreviventes do fundo do mar e passa a humilhação de aceitar a ajuda da Noruega e Reino Unido. Os noruegueses levam navio com oficina de forja a bordo, capaz de confeccionar qualquer tipo de ferramenta ou peça necessária ao salvamento. Em 48 horas os noruegueses fazem o que era impossível para os russos.

A equipe de salvamento que socorreu a Rússia é formado por 12 mergulhadores civis noruegueses e britânicos, acostumados ao trabalho em plataformas de petróleo e gás, trabalhando em turnos de 6 horas debaixo d'água.

Data Acontecimentos
12.08  O Kursk, que navegava em imersão periscópica a uns 20 m sob o mar, sofre um violento choque, provavelmente com outra embarcação de grande tonelagem. A onda de choque é registrada às 11h30 locais por navios russos e norte-americanos que navegam na área. Toda a parte dianteira direita do submarino é destruída, vários compartimentos são inundados e o comando de pilotagem inutilizado. 
  É provável que 70% dos tripulantes do Kursk estivessem na parte afetada no momento do choque. Os construtores do submergível afirmam que devem ter tido tempo de chegar aos compartimentos não inundados, mas especialistas ocidentais consideram impossível que todos os ocupantes do Kursk tenham sobrevivido a esse primeiro impacto.
  O submarino já não é governável e se inclina sobre um flanco. Em uns 2 minutos vai até o fundo, a 108 m da superfície, em um segundo choque brutal. O reator nuclear não sofreu danos, segundo Moscou.Os russos afirmam que nenhuma embarcação civil estava na área do acidente, assegurando que o Kursk não se chocou com outra embarcação militar participante nas manobras. Existe a hipótese de um choque com um submarino estrangeiro, apresentada desde as primeiras horas do drama pelo Estado Maior russo.
  A tripulação do Kursk foi obrigada a lançar lixo através de uma escotilha de emergência no Mar de Barents para ajudar as equipes de resgate a localizar o ponto onde estavam depois do acidente que provocou sérias avarias no submarino no sábado, demonstrando que os sistemas de comunicação de emergência do Kursk falharam. 
  Sismógrafos noruegueses afirmam que registraram duas violentas explosões no dia 12 pela manhã com 2 minutos de intervalo, a primeira às 7h28 GMT (4h28 de Brasília) e a outra, mais violenta, às 7h30 GMT (4h30). Inicialmente, a Marinha russa não se dá conta do acidente. De acordo com o plano de manobra, o Kursk permanece silencioso.
  Às 23h30 locais, hora em que a ligação de rádio deveria ser restabelecida, o comando da Frota descobre que o Kursk não responde. Imediatamente é lançado o alerta e o cruzador Piotr Veliki chega rapidamente ao setor onde se encontra o Kursk. 
  Ofertas de socorro vieram dos Estados Unidos, da Inglaterra e da vizinha Noruega. 
13.08 O submarino é descoberto às 3h21. Segundo os russos, os primeiros navios de socorro chegam às 10h ao local da tragédia. Imediatamente começam os preparativos para uma operação de resgate. 
14.08 O acidente é noticiado. Em lugar de ter apelado por ajuda internacional no próprio sábado, os russos rejeitaram a oferta na segunda-feira.
15.08 Sobreviventes batem no casco do submarino. Os esforços para salvá-los só começaram quando foi possível reunir navios e equipamentos a menos de 200 km de Murmansk, sede da poderosa Frota Norte.
  Cessam as batidas. Os russos tentaram alcançar o submarino com um sino, o Kolokoltchik, que opera por controle remoto e por cabos presos a uma plataforma na superfície. Antiquado e difícil de ser manobrado, o aparelho mostrou-se incapaz de se conectar com a escotilha por onde deveriam sair os tripulantes. A segunda tentativa foi feita com um minissubmarino, o Priz, movido por baterias antigas, que se esgotavam em apenas três horas. 
16.08 Moscou rendeu-se, pediu ajuda externa, o presidente da Rússia deu ordem para que se aceitasse qualquer oferta de ajuda que fosse feita. A Inglaterra enviou seu melhor minissubmarino, o LR5, com previsão para entrar em operação uma semana depois do desastre.
  Entrou em operação o que a Marinha russa tem de melhor, o minissubmarino Bester. Com 50 toneladas, ele consegue navegar contra as fortes correntes que impediram o trabalho do sino e do Priz. O Bester pode levar 20 tripulantes de volta à superfície em cada viagem.
  Putin decidiu interromper as férias em Sotchi. Putin, que antes de ser eleito presidente prometia restaurar o orgulho militar da nação, revelou-se um fiasco. 
17.08 O navio norueguês Normand Pioneer parte de Trondheim. O ministro da Defesa, Igor Sergueyev, volta a insistir na tese da colisão com outra nave como a mais provável. Filmagens revelam que a parte dianteira foi destruída. 
18.08 O Bester foi capaz de chegar à escotilha na parte traseira do submarino. O tombadilho estava tão danificado, contudo, que a cápsula de resgate não conseguiu estabelecer uma conexão adequada. Sem uma junção perfeita foi impossível abrir a escotilha e entrar no submarino. Outras escotilhas, localizadas na ré, estavam igualmente danificadas.
  O Komsomolskaya Pravda em sua edição local de Murmansk publicou a lista, até então secreta, dos 118 tripulantes do Kursk, afirmando tê-la comprado por 18.000 rublos (US$ 650) de um oficial da Marinha
  As câmeras do Bester permitiram filmar o tamanho do estrago. Há um enorme buraco na parte dianteira da embarcação. Daí se intui que a ponte de comando, localizada nessa área, deve ter sido inundada rapidamente. É onde trabalha a maior parte da tripulação. Estima-se que 2/3 dos marinheiros devam ter morrido nos primeiros momentos do desastre. 
  Uma cápsula de resgate russa finalmente consegue aproximar-se da escotilha na parte detrás do Kursk. Ela não pode ser aberta, porém, porque está amassada e torta. O comandante da Frota Norte, almirante Vyacheslav Popov, fala pela primeira vez à imprensa e admite que uma explosão interna causou a catástrofe. Ele diz também que a tripulação não envia sinais desde segunda-feira
19.08 Ingleses tentam salvamento utilizando o LR5.
  O Estado-Maior da Frota Norte informa na TV que provavelmente não há sobreviventes. O Normand Pioneer chega ao local e aguarda a vinda de mergulhadores noruegueses para iniciar as operações. 
20.08 Mergulhadores noruegueses identificam um corpo na câmara de vácuo e tentam a entrada no submarino.
21.08 Às 7h45 da manhã, os quatro mergulhadores noruegueses da empresa Stolt Comex Seaway conseguiram abrir a primeira escotilha do submarino nuclear. 
  Russos afirmam que destroços de submarino inglês se encontra a 330 m do Kursk. Noruegueses e britânicos suspendem operações de salvamento.
  O governo russo anunciou que triplicará a ajuda financeira às famílias dos tripulantes do Kursk, elevando-a a 1,5 milhão de rublos, de acordo com o primeiro-ministro russo, Mikhail Kasianov.
22.08 O governo russo informou na terça-feira que morreram os 118 tripulantes a bordo do submarino, que ficou completamente inundado e com a proa destruída. 
23.08 A indenização por marinheiro é equivalente a US$ 7 mil. Trazer o Kursk à tona e enterrar os mortos é uma tarefa de mais de US$ 100 milhões, que a Rússia não tem condições de arcar. 
27.08 Segundo o almirante norueguês Erinar Skorgen, que coordena a equipe de resgate, está totalmente descartada a hipótese de uma colisão ter sido a causa dos dois rombos encontrados no casco do submarino e que provocaram a inundação de todos os compartimentos do Kursk, um vazamento de gás pode ter provocado a tragédia.


Há 2 hipóteses para a tragédia: explosão ou colisão. Talvez uma colisão seguida de explosão. É possível que um ou mais torpedos tenham explodido dentro dos tubos de lançamento. Ou que tenha ocorrido combustão espontânea nos tubos de ar comprimido do sistema de lastro. Se houve explosão, pode ter sido acidental ou induzida por 2 daguestaneses que estavam entre as 12 pessoas não alistadas oficialmente.

A sabotagem seria motivada por separatistas da República do Daguestão, um enclave muçulmano simpático aos rebeldes da Tchétchenia.

Segundo o serviço secreto francês, os primeiros sinais do acidente teriam sido captados já na sexta-feira 11 e não no sábado. Jornais publicaram que é improvável que se saiba o que realmente aconteceu com o Kursk.

A seguir, algumas das teorias formuladas por funcionários do governo russo, militares noruegueses e a imprensa:

1) O Kursk bateu contra um submarino estrangeiro

Versão 1, do Komsomolskaya Pravda: o Kursk bateu em um submarino norte-americano. Os Estados Unidos desmentiram que qualquer embarcação do país esteja envolvida na tragédia.  Versão 2, do Komsomolskaya Pravda: se o Kursk colidiu com um submarino estrangeiro, o "mais provável é que tenha sido britânico". A Grã-Bretanha negou que qualquer embarcação esteja ligada ao acidente.  Versão 3, da Nezavisimaya Gazeta: o diário cita fontes militares, que afirmam ter achado um fragmento de um submarino estrangeiro a 300 m da cena do acidente. 
O ministro da Defesa da Rússia, Igor Sergueiev, diz acreditar na tese de que o submarino colidiu com outra embarcação estrangeira. Segundo ele, uma bóia, que não era de origem russa, foi vista próxima do Kursk um dia depois do acidente. A bóia, que segundo um repórter de televisão era verde e branca, desapareceu antes que os russos pudessem pegá-la. 
2) Torpedos
De acordo com o Pravda, existiriam 130 marinheiros a bordo em vez dos 118 admitidos oficialmente. Por esta hipótese, 12 homens, que provavelmente não estão incluídos na lista oficial, estavam no submarino para um treinamento "especial" com torpedos. O ministro da Defesa russo desmentiu a versão do jornal, e disse que não havia uma tripulação extra no Kursk.  A Marinha norueguesa informou que a explosão de um torpedo, ou outro armamento russo, afundou o submarino. Um barco que coletava dados para o serviço de inteligência, que se encontrava no Mar de Barents para observar um exercício militar do qual participava o Kursk, registrou 2 explosões na região do acidente.  A Marinha americana, que espionava eletronicamente as manobras russas com os submarinos U.S.S. Memphis (SSN-691), U.S.S. Toledo (SSN-769) e o navio U.S.N.S. Loyal, registrou 2 explosões, separadas por alguns segundos por volta de 7h30. Um militar em Washington disse à agência Reuters que a última comunicação do Kursk foi um pedido de autorização para disparar dois torpedos.  Segundo o jornal militar russo Krasnaya Zvezda, o Kursk estaria usando um novo tipo de combustível líquido, mais barato e de muito mais alta combustão, causando explosão.
3) O submarino detonou uma mina
Mikhail Motsak, chefe da Frota Norte da Rússia, disse no dia 19 de agosto que o Kursk fez explodir uma mina da época da Segunda Guerra. A Marinha norueguesa informou que seria impossível que uma mina tivesse causado a primeira explosão. Não está fora de cogitação o choque com o fundo do mar, em decorrência de manobra desajeitada. Falta explicação para a rapidez com que tudo ocorreu. 
O Kursk com seus 2 reatores não é o único lixo nuclear abandonado no fundo do mar, onde estão mais 5 submarinos com seus reatores, sendo que estes outros estão em profundidades da ordem de 4.800 m.
O navio russo Keldish, usado na recuperação dos tesouros do Titanic, ajudará na retirada dos corpos dos 118 tripulantes. A embarcação possui equipamentos para exploração do fundo do mar, dois minissubmarinos e equipe de mergulhadores.