Jean B. Lamarck   (1744 - 1829)

Recebeu formação clássica no colégio jesuíta de Amiens, posteriormente alistando-se no exército aos dezessete anos, quando ficou órfão. Neste período já demonstrava interesse no estudo das plantas, tendo abandonado o serviço militar em 1768 e partindo à cidade de Paris. Ali cursou Medicina enquanto escrevia sua primeira obra, versando sobre Botânica (Flora Francesa, publicada em 1779). Sua primeira obra lhe rendeu êxito e reconhecimento no meio científico, sobretudo o reconhecimento do naturalista francês Georges Louis Buffon, que incentivou a publicação de Flora Francesa e indicou o amigo para a Academia de Ciências. Ao ter auxiliado na reestruturação do Museu de História Natural, acabou tornando-se zoólogo, estudando sobre insetos e vermes, no ramo da zoologia dedicado aos invertebrados. De seus estudos neste ramo da ciência teve origem a posterior obra História Natural dos Animais Invertebrados, reunida em sete volumes publicados entre 1815 e 1822. 
De todos os seus estudos, sobressaem-se as suas teorias acerca do evolucionismo biológico, tendo sido um dos primeiros estudiosos a dar importância ao fato das variações entre indivíduos de uma mesma espécie. Explicou as variações de características entre seres de uma mesma espécie como resultantes da diversidade de fatores e transformações ambientais apresentados nas diversas localidades onde subsistem. Assim, Lamarck formulou o chamado transformismo, em que os indivíduos de uma espécie adaptar-se-iam à ação e às transformações do meio ambiente em que vivem, sendo que o resultado de tais adaptações nos indivíduos seriam transmitidas para sua descendência. A célebre exemplificação de Lamarck para demonstrar sua teoria valia-se da afirmação de que o comprimento do pescoço das girafas atingiu tal desenvolvimento a partir de uma necessidade imposta pelo meio em que vivem: as girafas precisavam alcançar os ramos mais altos das árvores para se alimentarem sem concorrência com outros animais que se alimentavam com os ramos mais baixos. As leis que regem o transformismo (ou Lamarckismo) foram estabelecidas por Lamarck em 1800: a primeira lei afirma que os órgãos dos seres cujo uso é evidenciado tendem a desenvolver-se, à proporção do uso; o contrário ocorre com os órgãos aos quais se aplica a falta de uso, tendendo portanto a desaparecerem. A segunda lei de Lamarck afirma que as adaptações sofridas pelos seres de uma espécie por influência do meio ambiente são transmitidas e conservadas de geração para geração, desde que as adaptações ocorram em seres de ambos os sexos na espécie. Tendo enfrentado em vida, por suas teorias de evolução, o escárnio geral da comunidade científica, Lamarck e suas idéias caíram no esquecimento até o século XIX, quando foram redescobertas. Atualmente, a Ciência tende de maneira geral a rejeitar o princípio da transmissão de geração a geração das características evidenciadas e potencializadas pelos fatores naturais, pois as modificações adquiridas ocorreriam em milhões de anos, não podendo ser comprovadas, enquanto, por outro lado, tende a aceitar a idéia da constância do uso de um órgão animal como um dos fatores de manutenção de sua existência e funcionalidade. Não reconhecido pelos cientistas de sua contemporaneidade como Cuvier e o próprio Buffon, com quem rompera relações, pois este ainda aceitava as teorias então vigentes baseadas no princípio da geração espontânea, Lamarck foi reconhecido por sua importância num estágio evolutivo do conhecimento das leis que regem a evolução biológica somente tempos após sua morte. 
Lamarck foi o o primeiro a separar Crustacea, Arachnida e Annelida de Insecta, através de seus trabalhos de classificação. 
Teve vida marcada pela constante luta contra a pobreza. Luta infrutífera, pois morreu em 28 de dezembro de 1829, pobre. Foi enterrado em um cemitério alugado, de onde seu corpo foi retirado cinco anos depois, e enterrado em lugar desconhecido. Para piorar, ao redor de 1818 ele começou a perder a visão, dependendo totalmente das filhas no final de sua vida, pois estava completamente cego.

Lamarck contribuiu para o pensamento evolucionista pois percebeu algo além da influência passiva do meio ambiente nos organismos. Ele inferiu que mudando o meio ambiente, mudam as necessidades dos indivíduos, que por sua vez alteram os comportamentos para atender à estas novas necessidades. Estas mudanças de comportamento alteram a utilização de determinadas estruturas anatômicas, ou orgãos, que podem crescer ou atrofiar, dependendo do uso. Ele chamou este conceito de "A primeira lei" em seu livro "Filosofia Zoológica"; a "Segunda lei" versava que estas características alteradas pelo uso e desuso seriam hereditárias.
Moreu em 1829, viúvo 4 vezes, cego e na miséria.

| voltar |