MOLUSCO

Os moluscos são organismos invertebrados que tem o esqueleto do lado de fora do corpo na forma de uma concha de cálcio dura. Uma grande parte das rochas calcáreas da Terra provém de depósitos desse grupo de animais. Tais seres realizam um processo de separação das substâncias em mineral e protéica. Todos os sais calcáreos são levados à superfície do animal e as substâncias protéicas são conduzidas para os órgãos internos. O manto, uma fina membrana que reveste a parte interna da concha nos indica o limite entre esses dois processos.
Existem várias formas diferentes, cada qual apresentando um formato de concha diversa. Alguns são nadadores velozes (polvo, lula) enquanto outros ficam fixos sobre o fundo a maior parte da vida (ostra, mexilhão). Ainda outros são capazes de rastejar sobre o fundo raspando as pedras com uma língua afiada (caramujos), enquanto outros se enterram para escapar de possíveis predadores (sururu). O cardápio desses animais é igualmente variado e eles também servem de ótimo alimento para outras formas de vida, entre estas, os pássaros que ficam bicando a areia da praia durante a baixa-mar, bem como para o ser humano.

Características gerais

Corpo geralmente curto e parcial ou totalmente circundado por uma formação carnosa da parede do corpo chamada manto e que pode ser modificada de várias maneiras; entre o manto e a massa visceral existe uma cavidade do manto, contendo os componentes dos diversos sistemas.
Uma concha, quando presente, secretada pelo manto e composta por uma, duas ou oito partes; cabeça e o pé muscular ventral próximos, sendo o pé modificado de diversas formas para rastejar, cavar, nadar ou capturar alimentos.

Trato digestivo completo, complexo, com tratos ciliados para selecionar partículas pequenas; boca com rádula, apresentando fileiras transversais de diminutos dentes quitinosos para raspar alimentos (exceto Bivalvia); anus abrindo-se na cavidade do manto; uma glândula digestiva grande e freqüentemente glândulas salivares.

Sistema circulatório aberto (exceto nos Cephalapoda), incluindo tipicamente um coração dorsal com um ou dois átrios e um ventrículo, usualmente em uma cavidade pericárdica, uma aorta anterior e outros vasos e muitos espaços sangüíneos nos tecidos.

Respiração através de um a muitos ctenídios da estrutura peculiar (brânquias) no interior da cavidade do manto, pela cavidade do manto ou pelo manto.

Excreção por rins, em número de um, dois ou seis pares ou um, geralmente ligados à cavidade pericárdica e terminando na cavidade do manto; celoma reduzido às cavidades dos nefrídeos, gônodas e pericárdio.

Classificação

Os moluscos são divididos em várias classes distintas, entre elas podemos destacar: Cephalopoda (Lulas, Polvos e Sépias), Acephala (Conchas) e Gastropoda (Caramujos). Em cada classe podemos encontrar um dos três sistemas do corpo humano acentuados em seu desenvolvimento.
O primeiro grupo, o dos Cephalopoda, os olhos e o sistema nervoso estão altamente desenvolvidos. O olho da Lula é o mais perfeito encontrado entre os Invertebrados. Nas conchas, o sistema respiratório é o mais bem desenvolvido. As brânquias das ostras são formadas por camadas que se dispõe como páginas de um livro, e estas camadas são o rudimento daquilo que virá a constituir as brânquias dos peixes verdadeiros.

Os caramujos apresentam um desenvolvimento mais acentuado das partes internas digestivas e reprodutiva. Os órgãos internos em sua especialização aparecem pela primeira vez nesses animais. Não existem moluscos sem conchas. As formas fósseis, as Amonitas nos mostram que as Sépias possuíam, em épocas passadas, uma concha e que foi perdida durante sua evolução. As formas atuais desses moluscos são os Nautilos com suas conchas típicas. Existem portanto, três tipos de conchas: a das Amonitas, das Conchas e dos Caracóis - esses três tipos de conchas podem se relacionar com as três direções do espaço.

Os Moluscos, através das formas dos seus representantes e da enorme diferenciação, se revelam animais que possuem as mesmas forças configurativas nos órgãos do ser humano, mas que desenvolveram um caminho unilateral em relação à essas forças configurativas orgânicas. No ser humano o equilíbrio entre os órgãos se mostra em plena harmonia mas, nos animais, essa relação entre os órgãos se mostra de maneira desarmônica, onde um órgão oprime os outros e o estilo desse desequilíbrio nos revela o caráter total desse ser vivo, desse ser animal que configura os órgãos segundo essa desarmonia. Dessa maneira, aquilo que é uma parte do ser humano se transforma em um ser independente que faz parte do reino animal. A Medusa representa aquela parte da cabeça humana exageradamente dirigida e adaptada à vida livre sobre a água. A produção do pigmento da Sépia pode ser comparada à produção da saliva: Por essa razão, Lorenz Oken comparou o Polvo com a língua humana.

Classe Cephalopoda

Os cephalopoda são os moluscos mais altamente desenvolvidos e estruturalmente diferentes. Em muitos aspectos, podem até ser considerados como o grupo mais avançado entre os invertebrados viventes. A classe é representada por apenas cerca de 650 espécies e parece ser um grupo em declínio, havendo cerca de dez mil espécies fósseis, estendendo-se até o cambriano. Inclui os maiores invertebrados viventes, a lula gigante, que alcança um comprimento de 16m. Os cefalópodos divergiram mais do molusco ancestral como é evidenciado em muitos aspectos da sua anatomia e fisiologia. Em contraste com a figura estereotipada dos moluscos serem animais lentos que funcionam com mecanismos ciliares e mucosos, os cefalópodos são predadores rápidos e principalmente pelágicos. Para originar tais carnívoros rápidos, foram necessárias modificações básicas na estrutura e no funcionamento do molusco original. Uma das necessidades para o movimento rápido é um aumento da taxa metabólica, que, por sua vez, requer fornecimento de mais oxigênio e remoção de mais dióxido de carmbono. O sistema circulatório aberto do molusco original é inadequado para transportar oxigênio com velocidade necessária. Assim, os cefalópodos desenvolveram um sistema circulatório fechado. A ação deste ainda é intensificada pela adição de um segundo conjunto de corações na base dos ctenídeos e cuja função é aumentar a taxa do fluxo sanguíneo através das brânquias.
Estrutura: A cabeça grande tem dois olhos conspícuos e uma boca central, a qual é circundada por 10 braços carnosos, contendo ventosas em forma de taça; o quatro par de braços são tentáculos retráteis longos. O corpo delgado; cônico, tem uma nadadeira triangular ao longo de cada lado da extremidade afilada. A cabeça e o corpo unem-se por um pescoço, ao redor do qual o bordo livre do manto formam um colarinho frouxo. Abaixo do pescoço há um funil muscular ou sifão. A pele contém muitos cromatóforos, com pigmento amarelo ou pardo, em uma cápsula elástica, circundada por células musculares. Estes expandem-se e contraem-se ritmicamente, tornando o animal alternadamente claro ou escuro. A lula é mais longa dorsoventralmente, a cabeça é morfologicamente ventral e os braços e o sifão apresentam o pé dos outros moluscos.

Aparelho digestivo e excretor: Inclui uma boca, uma faringe muscular com um par de mandíbulas córneas semelhantes a um bico de papagaio invertido e uma rádula; um esôfago delgado; o estômago muscular em forma de saco ligado à um ceco de parede fina com válvula complexa entre os dois; o intestino delgado e o reto que se estende até o ânus, o qual se abre na cavidade do manto. Dois pares de glândulas salivares ligam-se à faringe e ao fígado longo e um pâncreas pequeno ligam-se ao estômago por seus dutos. A lula come crustáceo, moluscos e peixes. Ela nada para frente com os braços unidos, então lança-se sobre a presa ejetando repetidamente água pelo sifão; os braços separam-se, a presa é agarrada e levada para a boca, mordida pelas mandíbulas e deglutida. Acima do reto há uma bolsa de tinta regular, com um duto que se abre perto do ânus. A tinta é um pigmento escuro, que pode ser lançada através do sifão, produzindo uma "cortina de fumaça" sob a qual a lula pode escapar de um inimigo. Em cada lado de uma cavidade do manto, há uma brânquia alongada. Um par de rins drena a cavidade pericárdica ao redor do coração para a cavidade do manto.

Sistema reprodutor: Os sexos são separados, cada um com uma gônada próxima a extremidade da cavidade do manto, e um duto, que se abre na direção do funil. No acasalamento, um espermatóforo (pacote de espermatozóides) é transferido pela ponta especializada do quinto braço esquerdo do macho para a cavidade do manto da fêmea, onde a ponta se destaca e permanece. Os ovos são grandes, com muito vitelo e são postos em cápsulas gelatinosas longas. A clivagem é superficial, lembrando a das aves, e não há estágio larval; o jovem enclode como um adulto em miniatura, capaz de nadar e alimentar-se imediatamente.

| voltar |